Terça-feira, Maio 23, 2006

Em Belíssima, o prazer casual vale mais do que o romance


Na semana passada, uma das tramas mais divertidas da novela Belíssima atingiu seu clímax. O cafajeste Alberto (Alexandre Borges) recebeu o cartão vermelho da mulher, a certinha Mônica (Camila Pitanga), depois que esta assistiu a um vídeo em que o marido realiza peripécias com sua amante, Rebeca (Carolina Ferraz). Foi a própria Rebeca quem mandou o vídeo. A agente de modelos dedurou Alberto porque acabou se apaixonando por ele e decidiu tê-lo só para si. Mas, de acordo com o autor Silvio de Abreu, isso não vai durar muito. Rebeca logo chegará à conclusão de que compromissos amorosos são uma chatice. Em Belíssima, esse raciocínio está longe de destoar: a moral do folhetim parece ser a de que mais vale o prazer casual do que um romance nos moldes tradicionais dos melodramas. As enrascadas de Alberto ajudaram a alavancar a audiência. Numa semana marcada também pela volta à cena da vilã Bia Falcão (Fernanda Montenegro), quatro meses após ser dada como morta num acidente, Belíssima atingiu seu melhor desempenho. Na segunda-feira, quando o número de televisores ligados na Grande São Paulo foi bem maior que o habitual em razão dos ataques dos criminosos do PCC, ela chegou pela primeira vez à média de 60 pontos no ibope – patamar que as novelas das 8 da Rede Globo costumam atingir apenas em seus capítulos finais.

Embora surja aqui e ali nas tramas periféricas, o amor romântico tem sido um item menor na agenda dos protagonistas, e não é segredo que a atração tépida entre a heroína Júlia (Glória Pires) e o grego Nikos (Tony Ramos) não entusiasma ninguém – a começar por eles mesmos. O que move a novela é a libido. Tome-se o exemplo do mecânico Pascoal (Reynaldo Gianecchini). Apesar de curtir uma paixonite platônica pela personagem de Cláudia Abreu, ele não resiste às curvas da dona-de-casa Safira (Cláudia Raia), um vulcão sexual. Esta última, por sua vez, não assume seu caso com ele em nome das aparências, mas arde de desejo. "Safira é louca por Pascoal pelo mesmo motivo que o despreza: ele é pobre, sujo e ignorante", diz Abreu.

Nos melodramas, sexualidade franca é coisa reservada aos vilões. O sucesso de um casal como Alberto e Rebeca não deixa de ser uma subversão da regra. A personagem de Carolina Ferraz se tornou tão popular que a atriz é hoje a campeã de pedidos das espectadoras: elas escrevem à Globo para saber tudo sobre suas roupas e acessórios. Isso se deve, em boa medida, à habilidade de Abreu para lidar com o tema. Não só ele tempera as cenas carnais com muito humor, como conduz o triângulo entre Alberto, Rebeca e Mônica de forma que o público, em vez de reprovar a conduta dos amantes, ache que eles se merecem mutuamente em sua malandragem. Abreu tem uma tese, digamos, sociológica para explicar a aceitação do sexo em Belíssima. A não ser nas tramas de época, opina o noveleiro, as espectadoras rejeitam as personagens passivas. "As mocinhas de hoje têm de mostrar que sabem o que querem, inclusive no sexo", diz. O mesmo se aplica aos tipos masculinos. Abreu mudou a personalidade de Cemil (Leopoldo Pacheco), o bom-moço apaixonado pela personagem de Camila Pitanga, quando uma pesquisa constatou que ele aborrecia a audiência com sua atitude derrotista. Desde que o chatonildo Cemil soltou a franga numa festa, sua moral com as espectadoras finalmente disparou. Em Belíssima, enfim, o amor não é eterno – nem enquanto dura.

Veja, dessa semana

2 Comments:

  • Contando que é uma afronta a Deus como criador ,está estragando o plano original da felicidade humana
    o amor é uma planta que deve ser regada todos os dias tanto da parte do homem quanto da mulher ,e
    não para satisfazer desejos egoístas da pessoa.
    Bruno Costa Candido
    18 anos
    brunocoscan@hotmail.com

    By Anonymous Anônimo, at 9:16 AM  

  • uma vida de felicidade é desperdiçada por minutos de prazer um sonho de uma vida inteira por terra o homem perdeu a vontade de sonhar e realizar seus sonhos com a pesso quem ele ama.

    By Anonymous Anônimo, at 10:06 PM  

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